A influência dos pensamentos nos relacionamentos

Quando nos relacionamos com alguém seja socialmente ou afetivamente começamos a emitir pensamentos a respeito desta pessoa. Se através de uma atitude dessa pessoa fizermos uma leitura de que ela é metida, ou que quer mostrar superioridade, ou que ela é mesquinha, ou mal humorada, ou se usarmos qualquer outro adjetivo negativo para qualificá-la com certeza criaremos uma aversão à qualquer possibilidade de aproximação com esta pessoa. Por outro lado, se concluirmos que este indivíduo parece simpático, humilde, amigável, provavelmente nos empenharemos em conhecê-lo melhor. Desta forma, os nossos pensamentos nos direcionam positivamente ou negativamente nos relacionamentos.
Não é incomum experienciarmos uma rejeição inicial por alguém que posteriormente nos cativará. Isto ocorre porque concluímos algo negativo a primeira vista que se desconfirmou num segundo momento. O contrário também não é raro, pois quantas vezes investimos em pessoas que se mostram o oposto do que pensávamos? Neste segundo exemplo, na maioria das vezes ficamos nos martirizando por termos confiado em alguém que não merecia. Mas será que era a pessoa realmente que não merecia ou nós que tivemos uma visão distorcida a respeito dela?
A realidade é que cometemos erros cognitivos todo o tempo e não nos damos conta disso. Colocamos expectativas irrealistas em pessoas reais. Então, na maioria das vezes, não são as pessoas que nos frustram, mas sim os nossos pensamentos. Toda pessoa apaixonada, por exemplo, assim está por exacerbar as qualidades do parceiro, ao passo que uma pessoa desiludida, só lembra dos defeitos. Muitos casamentos se desfazem por um dos parceiros ter com uma expectativa que o outro não pode cumprir. O relacionamento entra num círculo vicioso e um cobra que o outro faça aquilo que ele entende que deveria ser uma comprovação de amor. Não existe uma fórmula para o amor, nem uma forma única de amar, pois as pessoas são diferentes e entendem o amor de maneiras diferentes. Mas, existe uma forma individual de amar e demonstrar amor, que é a forma de cada um.
O entendimento de que os nossos sentimentos são imutáveis não procede, pois se os sentimentos são conseqüência dos pensamentos e os nossos pensamentos são decididos por nós mesmos, então podemos mudar a forma como sentimos mudando a forma como pensamos. Enveredando por este caminho, podemos então, concluir que o amor é uma decisão que contraria um conceito bastante difundido, de que o amor é um sentimento incontrolável que se estabelece ao acaso e vai embora sem a nossa permissão. Quantas vezes já ouvimos a seguinte afirmação:“o amor acabou”? Como se o amor fosse uma coisa externa que começa e se encerra sem o nosso consentimento. Penso que se o amor terminou, isso é se algum dia ele já tiver existido, foi porque insistentemente buscamos provas que confirmassem os nossos pensamentos negativos a respeito do outro, o que resultou numa total desmotivação para persistir amando.
Amar é diferente de apaixonar-se embora muitas pessoas confundam isso. Portanto, o que acaba com mais freqüência é a paixão ( estado de encantamento), quando nos deparamos com aquilo que consideramos defeito no outro. Digo consideramos porque o que para nós é um defeito pode não sê-lo para outra pessoa. Neste momento, cabe aos dois decidir se conseguirão aceitar ou não essas falhas, continuando a valorizar mais os pontos positivos que o outro oferece. Se isso acontecer o sentimento que passa a existir é o amor. É neste momento que muitos relacionamento terminam sem mesmo terem experienciado o amor. Acredita-se que não vale a pena o investimento e pronto! Aí não tem mais jeito. Os casais que conseguem transpor essa barreira valorizando mais os pontos positivos abrem as portas para o amor. Eles sabem que o outro não é perfeito e o aceitam como tal. Existem também aqueles que continuam juntos movidos ainda pela idealização inicial e quando se deparam com os defeitos entendem que conseguirão mudar o outro de forma a torná-lo aquilo que desejam. Essas pessoas se relacionam com uma idéia e não com a realidade e querem que o parceiro cumpra as suas expectativas irrealista, que muitas vezes ele não tem como cumprir. Os pensamentos, aqui, costumam ser pensamentos distorcidos como por exemplo: “Depois que nos casarmos ele vai dar mais atenção à mim do que aos filhos do primeiro casamento”. Fico me questionando se o que essas pessoas sentem é amor. É fato, que elas têm uma sede de amar que aparece sob uma forma de controle que acaba por distanciar a pessoa da sua meta, ao invés de aproximá-la. Elas querem amar controlando o outro e recebendo dele aquilo que “elas” entendem amor, e como isso não é possível vivem em constante frustração. Há outros que buscam incansavelmente alguém que possa suprir todas as suas necessidades. Esses, portanto vivenciam relações rápidas e confundem paixão com amor. Elas só querem viver a fase de encantamento e não se conformam com a humanidade do outro. Estes são mais imediatistas e pulam de galho em galho buscando um ideal impossível.
Sentimos aquilo que os nossos pensamentos alimentam. Se alimentarmos idéias de fracasso e constantemente buscando evidências que as reforcem provavelmente nos sentiremos deprimidos. Se ficarmos questionando as nossas atitudes, querendo adivinhar o futuro superestimando os riscos e subestimando recursos e a nossa capacidade de enfrentamento provavelmente nos sentiremos ansiosos. O caminho da assertividade está em aprendermos a detectar esses pensamentos nocivos e desafiá-los de forma a encontrarmos pensamentos positivos mais funcionais e na maioria das vezes mais realistas para a nossa condição. Transformando a nossa forma de pensar mudamos consequentemente a nossa forma de sentir e de agir, respectivamente. Isso nos tornaria mais tolerantes, mais amigos e mais flexíveis. E é na flexibilidade que está a solução os nossos conflitos e o futuro dos relacionamentos.

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O impacto da infância na vida futura

Considerando a postura construtivista, que defende a idéia de que o nosso conhecimento é construído, então as nossas primeiras impressões sobre o mundo são muito relevantes, porque é a partir delas que construímos o nosso conhecimento e o nosso entendimento. Portanto tudo o que é vivido na infância fica gravado e poderá influenciar positivamente ou negativamente a nossa vida futura. No entanto, se tivermos uma infância infeliz isso não é um atestado de infelicidade, pois o que importa não são os acontecimentos em si, mas como nós entendemos, sentimos e reagimos a respeito do que vivemos. É claro que alguém que tenha sofrido na infância terá muito mais possibilidade de comprometimento futuro do que uma criança que tenha tido uma infância feliz. Por isso 2 crianças de uma mesma família com uma mesma criação pensam, sentem e agem de maneiras diferentes.
Pais rígidos e superprotetores por exemplo podem gerar filhos ansiosos, pois eles passam a impressão que não confiam nos filhos e se os filhos entenderem que os pais agem assim porque pensam que eles não tem recursos para enfrentar os problemas sozinhos, eles passam a não acreditar em si mesmos e desenvolvem ansiedade. Por outro lado, os pais omissos ou pais invertidos (que fazem o papel de filhos para os filhos) também podem gerar filhos ansiosos por se sentirem abandonados e consequentemente vulneráveis. Pais que cobram excessivamente podem gerar filhos inseguros e pais que abandonam também. Toda falta ou excesso pode gerar problemas.O ideal seria o equilíbrio que se dá com amor e limites.
Uma infância infeliz não é um atestado de infelicidade, é possível ter pais complicados e aprender com os erros deles e ser bem resolvido. Tudo é uma questão de entendimento e decisão. Existem pessoas que tiveram pais complicados e problemáticos e que entenderam quais eram as falhas deles e decidiram ter uma vida diferente da deles. Essa pessoas conseguiram aprender com o sofrimento e não permitiram repetir o erro dos pais. Que tal escolher aprender com os sofrimentos passados em prol de um futuro feliz?

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Cantar para ser feliz

O Sol – Jota Quest
(composição-Antonio Júlio Nastácia)
http://www.youtube.com/watch?v=17hDEOcH_kk

Ei, dor!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada…

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou…

A letra dessa música, apesar de simples e pequena é de uma extrema sabedoria e tem muito a nos ensinar. Escutar e acreditar nos nossos pensamentos que nos fazem sentir tristeza, depressão, ansiedade, medo e raiva só nos faz sofrer mais. Quando ouvimos os pensamentos negativos, intrusivos e distorcidos, armamos uma armadilha para nós mesmos. Acreditamos que se pensarmos nas piores hipóteses estaremos preparados para lidar com as dificuldades, no entanto o preocupar-se já é um sofrimento que nos aprisiona e nos deixa escravos de nós mesmos. Portanto se pararmos de dar atenção para os pensamentos que não nos trazem benefícios seríamos mais felizes. Encontraremos a liberdade e a alegria se nos focarmos nos nossos objetivos e formos em busca de sol, de luz, de paz , de Deus, de coerência, de amor e de todas as outras coisas que nos remetem à boas decisões e pensamentos. Então, que tal cantarmos ?

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A urgência da discussão sobre a moralidade para uma possível reconstrução da psique coletiva brasileira.

A discussão sobre a imoralidade na condução dos interesses públicos no Brasil é uma questão premente e o conhecimento de suas causas torna-se imprescindível para combatê-la. O povo brasileiro está condicionado inconscientemente por um processo histórico, social e cultural que propicia a continuidade dos vícios políticos. A abertura do brasileiro à autocrítica, que poderia possibilitar mudanças, paradoxalmente contribui para a manutenção do problema em face da baixa estima e conseqüente passividade. Torna-se assim, necessário que lideranças hábeis gerem na população a confiança acerca da possibilidade de mudança, o que alterará paulatinamente os padrões vigentes da psique coletiva. Os meios de comunicação são grandes aliados para rompimento desse ciclo vicioso. Enfatizar ações íntegras e afirmar a capacidade de superar obstáculos aumentaria a auto-estima da população, possibilitando o surgimento de novo sentido de vida que ajudaria a substituir as imagens negativas, em prol de posturas mais positivas e nem por isso menos realistas. Esse processo de reconstrução do inconsciente coletivo nacional demandaria tempo esforço e fé de líderes genuínos, capazes de gerar o orgulho de sermos brasileiros.

Tive o prazer de ser convidada para escrever este texto que foi utilizado como contracapa do livro: A abordagem multidisciplinar sobre a moralidade no Brasil, coordenado por Célia Pimenta Barroso Pitchon, lançado pela editora Del Rey em 17 de novembro de 2009. Esse livro é o resultado de palestras multidisciplinares oferecidas pelo Movimento das Advogadas Mineiras, e hoje e sempre esse assunto se torna cada vez mais urgente. Vale a pena ler.

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Você é Perfeccionista? Saiba como combater esse mal.

SE VOCÊ …
– tenta ser perfeito a qualquer custo.
– morre de medo de fracassar.
– se culpa e se cobra demasiadamente quando algo que executou não dá certo, generalizando esse erro para as outras áreas da sua vida.
– precisa da aprovação das pessoas para se sentir aceito, amado e seguro de si.
– é escravo dos seus êxitos e arrisca-se menos por medo de errar, adia ou até mesmo deixa de fazer algo para não se frustrar por não ter feito “perfeitamente”.
– pensa que acertar não é mais do que sua obrigação e focaliza sua atenção apenas no resultado final.
– diante de um 9,5 pensa no -0,5 que deixou de tirar e se esquece da boa nota que alcançou.
-tem dificuldade de delegar tarefas, pois, acredita que os outros são incapazes de executá-las como você.
– conduz a vida no que acha que você e/ou os outros “deveria(m)” ter feito, infringindo a si e aos outros, regras rígidas permeadas pela falsa crença de que somente os seus pensamentos estão certos.
– tem dificuldades de lidar com imprevistos e avaliar as prioridades.
Se você se identificou com as características acima, então, provavelmente você faz parte do grupo de perfeccionistas que representa 20% da população. Você aprendeu com a sociedade moderna que somente seria valorizado pelos outros pelo que realizasse, aparentasse e conseguisse, e não pelo que você realmente é. Essa distorção presente na nossa sociedade materialista, cuja meta é o êxito, tem criado uma superficialidade nas relações gerando um grande vazio causado pela ausência da espiritualidade e dos valores. Mas sempre há tempo para buscarmos a saída desse processo devastador que pode até mesmo levar a depressão.
Sugestões para combater o problema:

– Faça o melhor que pode e se esforce, mas não se cobre de obter o resultado esperado. Quando esse resultado não acontecer lembre-se do seu esforço para reforçar a sensação de dever cumprido.

-Perceba que todos têm limitações em determinadas áreas e isso não faz ninguém inferior, nem menos capaz e que o fato de não ser bom em tudo não é uma falha. Isso é o natural.

– Relaxe, analise suas metas e veja se elas são executáveis por você.

-Invista nas suas habilidades e caso não seja bem sucedido em algo, mesmo se esforçando, não desanime e veja que isso é um caso isolado e não uma regra na sua vida, prenda-se as suas vitórias.

– aprenda com seus erros, ao invés de se martirizar pelo que não fez. Erros podem ser um caminho para o sucesso.

– Não se deixe paralisar pelos seus medos. Confronte-os se perguntando o que de pior poderia acontecer e veja que os medos nos atrapalham a alcançar nossos objetivos.

– Divirta-se durante a execução, ao invés de só focar resultado.Lembre-se que a obsessão pelo sucesso é uma das causas de ansiedade e stress que contribui para os insucessos.

– lembre-se que o “deveria” já passou .

– saiba que ninguém vai achar você pior se falhar, mas vão percebê-lo uma pessoa mais humana o que provavelmente as fará mais próximas de você.

– é melhor fazer algo mediano do que não fazer nada.

– seja mais otimista. Foque mais nas suas habilidade e recursos.

– delegue mais, mesmo que as coisas não saiam como você espera. Você terá mais tempo para investir em outras áreas, inclusive no seu lazer.

– Avalie melhor os seus desejos e foque na sua ação para executá-los e não no resultado em si.

– retome seus valores e procure fazer o bem. Ajudar o próximo ajuda a dar sentido à vida e traz a sensação de realização.

Assim você perceberá que o valor está em se permitir ser genuíno. Faça isso o quanto antes e colha os frutos dessa mudança.

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