Dizer sim ou dizer não? Como se posicionar?

Assista:  Entrevista de Renata Borja para Rede Super

Dizer não é uma grande dificuldade para pessoas com personalidade sociotrópica. Aaron Beck, criador da terapia cognitiva, nos seus estudos sobre a depressão compreendeu que existem dois constructos de personalidade que se diferenciavam pelas diferentes crenças e comportamentos associados. Para ele, os indivíduos sociotrópicos seriam aqueles que necessitam da aprovação alheia e que confirmam o seu valor nas relações sociais e nas respostas que obtém dentro dessas relações. Por outro lado, os indivíduos autônomos seriam o oposto, pois eles valorizam suas competências individuais e sua independência e autonomia. Portanto, as pessoas com uma tendência mais sociotrópica acabam tendo uma grande dificuldade de posicionamento assertivo o que acaba trazendo prejuízos para sua vida pessoal e profissional. A cultura brasileira contribui muito para esse tipo de perfil o que faz com que muitas pessoas entrem em sofrimento ao se depararem com a necessidade de um posicionamento diante de uma solicitação.

Não é incomum ouvir as pessoas se queixando de fazerem as coisas para os outros e não fazerem para si mesmas e com isso se sentirem prejudicadas, injustiçadas e desvalorizadas. O fato é que nem todas as pessoas valorizam as mesmas coisas e um indivíduo sociotrópico pode ser capaz de dizer sim para muitas coisas que não poderia realizar por falta de tempo ou de disponibilidade. Essa atitude permissiva o deixa sobrecarregado e descontente consigo mesmo, principalmente se esse “sim” vier a prejudicá-lo em alguma de suas responsabilidades. Caso esse prejuízo aconteça, não é incomum essa pessoa cobrar retorno  do outro a quem dedicou o favor, o que, muitas vezes, pode acarretar em conflitos e rompimentos afetivos e relacionais. Isso não significa que a pessoa deve dizer não para tudo, pois ela também não se sentiria feliz e realizada com a atitude oposta. Ajudar o outro nos faz sentir bem, pois contribui com a produção de vários hormônios responsáveis pela sensação de prazer e bem estar como é o caso da ocitocina, mais conhecido como o hormônio do amor e da felicidade. E talvez até por isso, muitas pessoas encontram dificuldade nesse posicionamento. Entretanto, ultrapassar limites pode até fazê-la se sentir bem num primeiro momento, mas trará consequências bem desagradáveis no futuro.  Para solucionar essa dificuldade, elaborei alguns passos que poderão ajudá-lo a identificar a necessidade de dizer não em determinadas situações. Observar o momento certo para dizer não permite que você possa usufruir dos benefícios gerados pelo sim e dos benefícios gerados pelo não no momento certo.
Se você é uma pessoa que tem dificuldade de se posicionar assertivamente lembre-se:

1) A prioridade é você e não o outro.

Para que você possa amar o outro devidamente é importante que se ame primeiro. Pessoas sociotrópicas ficam deprimidas quando suas metas de reconhecimento e autovalor não são realizadas. Fazer algo que não deseja, não pode, ou que possa prejudicá-lo somente para agradar pode deixá-lo frustrado se o outro não reconhecer o seu trabalho ou se ele não retribuir com o mesmo tipo de atitude no futuro e esse tipo de necessidade de aprovação quando é frustrada contribui com a depressão, pois pode contribuir para a ideia de que o outro está se aproveitando de você e que você está sendo abusado ou manipulado. A realidade é que o problema não está com quem pede, mas sim com quem acata, no caso você. Lembre-se que dizer não em momentos necessários poderá contribuir muito nos seus relacionamentos e pode ajudá-lo a manter relacionamentos mais saudáveis e duradouros. Portanto, dizer não no momento certo, nos torna mais realistas e cria menos expectativas sobre as atitudes alheias, nos torna mais saudáveis e menos sobrecarregados e mais felizes e com mais disponibilidade de ajudar. Isso significa que se você é uma pessoa que gosta de ajudar, se souber dizer não no momento certo poderá ajudar mais e com mais prazer. É sempre bom lembrar que pessoas sociotrópicas precisam desenvolver uma maior autonomia e para que isso aconteça é necessário que deem prioridade as suas metas pessoais.

2) Invista no seu autoconceito positivo.

-Faça uma lista das suas habilidades, das suas capacidades, dos motivos pelos quais você merece amor e reconhecimento.
-Lembre-se da sua capacidade de amar e do seu desejo de ajudar o próximo. E que amar não significa atender a todos os desejos alheios e que muitas vezes amar é limitar.
-Acredite mais no seu potencial e alimente pensamentos bons sobre si mesmo embasado em evidências de sucesso anteriores.
-Lembre-se que fazer coisas para os outros não necessariamente faz com que o outro reconheça o seu empenho e dedicação e que, portanto, se desejar dizer sim é melhor que seja de coração e não uma troca como o objetivo de receber algo no futuro.

3) Analise cada situação individualmente

Antes de responder a solicitação, questione-se:

– Eu quero fazer isso?
– Eu posso fazer isso? Quais as minhas prioridades no momento? Esse sim poderá me prejudicar no futuro? Esse sim irá interromper ou prejudicar alguma das minhas atividades? Eu terei tempo para fazer a minha obrigação depois?
– Eu devo fazer isso?
– Eu preciso fazer isso? Para quê? Quais são as vantagens de fazer isso? Quais são as desvantagens?
– Eu farei isso para mim? Porque me sinto bem ajudando o outro? Eu posso fazer isso agora? Ou eu farei isso abandonando meus objetivos pessoais, apenas para manter a minha imagem perante as pessoas?
-Será bom para mim que eu faça?
-Qual o valor eu darei nessa ação daqui há 10 anos? Ela me ajuda ou me atrapalha?
-Essa ação é algo que eu poderia e gostaria de fazer se fosse em outro momento? Se sim. Ofereça-se para fazê-la dentro das suas possibilidades. Diga um não para o momento, mas abra as possibilidades para um segundo momento.

4)Questione-se o que de pior poderia acontecer e crie recursos para solucionar.

Caso a sua decisão naquela situação seja dizer não se questione o que de pior poderia acontecer se você disser o não? Qual seria a pior consequência desse não. Ao avaliar a pior consequência, crie recursos para enfrentá-la ou solucioná-la.

5)  O que o outro vai pensar de você não o define como pessoa

Não podemos controlar o pensamento das outras pessoas e mesmo que façamos algo para agradar não podemos garantir que agradaremos. Portanto, não podemos controlar os pensamentos alheios com as nossas ações. É inútil tentar esse controle, pois ele só contribuirá para a frustração. Entretanto, podemos controlar as nossas intenções e decisões e o que pensamos sobre nós. O pensamento do outro pertence ao outro e mesmo que sejamos o melhor de nós não temos como garantir que o outro compreenda as nossas intenções. O que o outro pensa sobre você pode não representar a sua intenção verdadeira. O pensamento do outro sobre você está embasado na construção mental que o outro fez através das vivências dele no mundo, portanto, pode ser  um pensamento distorcido. Vale à pena se importar com algo que está no outro e você não pode controlar e mudar?

6)Aja!!! Posicione-se!!!

  • Seja verdadeiro com você mesmo e com o outro e explique a sua posição.
  • Seja agradável com a pessoa que solicitou a sua ajuda e diga que adoraria poder ajudá-la, mas que infelizmente isso não seria possível, ou não seria possível naquele momento.
  •  Seja gentil elogie as qualidades do outro e agradeça o voto de confiança e diga que se sente honrado pela solicitação e se coloque a disposição no futuro, caso isso seja o adequado para você.
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Grupo Supervisão Presencial e Online

A supervisão clinica tem a função de orientar o psicólogo para uma boa condução do atendimento clínico, ajudando-o a compreender melhor o paciente e a desenvolver habilidades para a análise clínica e intervenções adequadas.
O treinamento em terapia cognitivo comportamental não é tão simples como muitos podem pensar e pesquisas mostram que terapeutas começam a ficar mais hábeis após três anos de prática aliada à supervisão com professores devidamente treinados.
É importante lembrar que a supervisão é um processo horizontal, onde os supervisores e supervisandos trocam experiências, conhecimentos, aprendem e ensinam.

Então não perca essa oportunidade, venha fazer parte do nosso grupo de supervisão presencial em Terapia Cognitivo Comportamental.

Frequência: Uma vez ao mês, durante 10 meses

Encontros: Sexta feira (14h-18h)

Investimento:

  • Supervisandos: 10 parcelas de R$350,00
  • Participantes: 10 parcelas de R$250,00

Para você que se interessou e não mora em Belo Horizonte ou não tem disponibilidade em fazer o grupo presencial, também temos o Grupo de Supervisão ONLINE.

Frequência: Uma vez ao mês, durante 5 meses

Encontros: Quarta feira (18h-20h)

Investimento:

  • Supervisandos: 5 parcelas de R$300,00
  • Participantes: 5 parcelas de R$200,00

Conheça os supervisores

  • Renata Borja Pereira Ferreira de Mello

Psicóloga Especialista Clínica com especialização em Terapia Cognitiva pelo ITC (Instituto de Terapia Cognitiva em São Paulo). Especialista em Relações interculturais pela UAB em Lisboa. Participou do programa de treinamento em Terapia Cognitiva oferecido pelo Instituto Beck na Filadélfia com o Dr. Beck e Dra Judith Beck. Professora do curso de Terapia Cognitiva do CEAP (Centro de Estudos Avançados em Psicologia).   É Supervisora clínica e trabalhou no curso de especialização em Terapia Cognitiva do ITC por 4 anos. Palestrante em órgãos governamentais e privados e congressos de psicologia, nacionais e internacionais com a apresentação de trabalhos. Participou de cursos com grandes nomes da TCC e da Terapia Racional Emotiva no mundo. Membro e atual diretora de afiliação da ABPC (Associação Brasileira de Psicoterapia Cognitiva). Afiliada da APA (Associação Americana de Psicologia). Mestranda em Relações Interculturais pela UAB em Lisboa. Criadora da Agenda Cognitiva.

  • Allan Magalhães Correia Junior

Psicólogo Especialista Clínico com especialização em Terapia Cognitivo-comportamental pelo ITC (Instituto de Terapia Cognitiva em São Paulo).  Participou de cursos com Judith Beck, Arthur Freeman, Paul Salkovski e Frank Dattilio. É professor do curso de Terapia Cognitiva do CEAP (Centro de Estudos Avançados em Psicologia). É supervisor clínico desde 1996.  Membro da ABPC (Associação Brasileira de Psicoterapia Cognitiva).

PARA FAZER SUA INSCRIÇÃO OU PARA MAIS INFORMAÇÕES:

Tel.: (31) 3284-5922

Cel. e WhatsApp: (31) 98331-1094

Email: cognitivact@gmail.com

Horário de funcionamento: 08h às 18h (segunda à sexta)

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PALESTRA ONLINE: Agenda Cognitiva para Adultos com TDAH

Venha participar da palestra para Adultos com TDAH, 100% Online e 100% Gratuita. Acontecerá do dia 24 a 30 de Abril de 2017.

A minha participação será no dia 28 de Abril, ensinarei um método de como ser Organizado, Produtivo e Atingir Objetivos e Metas de curto a longo prazo.

RESERVE o dia e horário e não perca essa oportunidade: 28 de Abril, às 20:00.

INSCREVA-SE gratuitamente no CONATDAH. Clique no link abaixo:
conatdah.academiadotdah.com/inscricao-gratuita/

Grande abraço,

Conto com a participação de vocês.

Renata Borja.

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Você se inspira ou se compara?

Comparações geralmente prejudicam quem é comparado ou se compara. Mania de comparação é um erro cognitivo típico que traz sofrimento e precisa ser tratado.

Um pouco da minha participação no programa Sempre Feliz no dia 15 de fevereiro de 2017.
Você se inspira ou se compara?

http://redesuper.com.br/semprefeliz/voce-se-inspira-ou-se-compara/

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Cansaço contínuo pode ser sintoma de doenças

Cansaço pode gerar doenças? Como ter uma vida mais saudável?
Equilíbrio na distribuição do tempo, pensamentos otimistas realistas, atitude e sentido, boas relações. Tudo o que você precisa para ser mais saudável.

http://www.abjnoticias.com.br/cansaco-continuo-pode-ser-sintoma-de-doencas/

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